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15 de Outubro de 2019

Parábola da Advogada em Início de Carreira – parte 1

Jovens Advogados e Advogadas

Parábola 2 já disponível - https://lucenatorres.jusbrasil.com.br/noticias/752452534/parabola-da-advogada-em-inicio-de-carreira-parte-2-judite-mulher

Ei, Lorena, e se eu não quiser ler a parábola? Se avexe não, viu! Segue o Episódio 2 no Podcast: https://youtu.be/QOA2nF3LOhI

Judite acaba de se formar em Direito (ou em Advocacia, rs, como alguns dizem por aí). Fez a tão temida prova da OAB, achando que essa seria a pior fase da sua vida (sabe de nada inocente), não passou de primeira, então, fez a tal de repescagem, e depois de mil simpatias, deu certo.

Mas antes mesmo de passar na prova da Ordem, Judite já achava que o estágio da Faculdade, aqui chamado de EPJ (Escritórios de Prática Jurídica), era muito puxado. Que era um absurdo atender a população, fazer as peças, ter aula, prova, chamada, etc. Ela achava a graduação atribulada! Eu conto ou vocês contam? Mal sabe ela que na Advocacia você tem que se rebolar!

Ei, Lorena, e se eu não quiser ler a parábola? Se avexe não, viu! Segue o Episódio no Podcast:

Enfim, superada esta fase de estudante, “num é” que a Judite agora é “Dôtora”, com OAB e tudo, hahahaha, morro de rir quando escuto essa frase. Mas bem, agora que Judite pode advogar, ela só pensa em uma única coisa: ganhar uma “ruma” de dinheiro, como dizem por aqui no Nordeste.

Pegar várias causas, fechar com diversos clientes, ter milhares de ações distribuídas entre as diversas áreas jurídicas e receber um monte de honorários. Além da “bufunfa”, Judite quer ter status social, pois muitos falam que ser Doutor ou Doutora é ser importante, tadinha!

Todavia, na Faculdade ninguém lhe ensinou como deveria prospectar esses clientes, pois eles, infelizmente, não caem do céu (bem que podiam, não é?). O estágio tenta ensinar como se faz uma reunião, mas nunca chegará perto de como se deve conduzir uma reunião valendo!

E para lascar ainda mais a “pobirreia” da Judite, ainda tem um tal de Código de Éticas (que só serve mesmo para “frescar” com a cara dos Jovens Advogados, pois é só você abrir as páginas do Jornal que lá está: Advogado especializado na área X, consulta gratuita, me ligue) Desculpa, mas isso sim se deve um sonoro - ieiiiiiiiiiiiiiii (vaia cearense).

Com toda essa “friscura”, Judite tem uma ideia genial (coitada da bichinha): Vou entrar nas redes sociais! Aí ela entra no tal de Instagram – é um monte de foto de Advogados em frente aos Fóruns, “vendendo” uma autoridade não sei para quem... Fora as fotos dos looks do dia. Afff, me cansa só de pensar, mas a Judite, coitada, acha que isso é advogar, por isso ela vai junto. E ainda por cima, ainda inventaram um tal de Hack do engajamento jurídico! Já ouviram falar?

Esse tal de Hack do Engajamento eu trato com vocês em uma outra oportunidade, até porque a estratégia sendo bem utilizada é muito boa!

Além do Instagram, Judite corre para o chamado LinkedIn: ora mais, vou vender meu peixe lá e quem sabe não fecho com uma empresa? Aí lá ela acha o CEO do escritório jurídico “se achando”; Empreendedor Sênior do Escritório “Ande Tonha” e muito mais. Mal sabe ela que ali tem muita vaidade, mas enfim, vamos seguindo.

Judite, com muito medo de divulgar seu trabalha nas redes sociais por causa do bicho papão – Código de Ética e Tribunal de Ética, resolve ir devagar e seguir o que a maioria faz, e acaba entrando na mesmice chata da Advocacia: “vou responder perguntas das pessoas e fazer consultas gratuitas. Pego a causa, coloco os honorários de êxito e vou ganhando cliente na famosa “boca a boca”. Tadinha da bichinha!

Achando que é um investimento maravilhoso para a sua imagem profissional e autoridade jurídica, vai indo, só não sabe para onde.... Porém, Judite, que não recebe salário, precisa de clientes, e rápido. Aí resolve seguir para a advocacia correspondente. Na primeira audiência/diligência, leva logo um calote fenomenal. Tem que entrar com uma ação contra o escritório contratante, o cliente, o cachorro, gato, papagaio, para ver se consegue receber aqueles 30 reais da audiência (arriégua).

Depois de toda essa fuzaca, Judite então resolve mesmo é que quer advogar na seara de Família, porque casamento a gente desfaz todo santo dia! Pois bem, lá se vai a Judite para sua primeira reunião, e logo percebe que o cliente chaga dizendo que é bem “facim”, que é um divórcio consensual e te pede o valor dos seus honorários. Tu dá, lógico né? E depois descobre que o ex casal está querendo dividir até as panelas! Valei-me Senhor, e agora? Lascou-se!

Nam, vou “mimbora” dessa área, vou advogar em Sucessões que é melhor. Armarianam! Aí na tua primeira reunião, depois de muito esforço, chegam os herdeiros e falam a mesma coisa: o inventário é consensual e pode até ser no cartório, está tudo dominado. Marminhanossasinhora, depois da primeira reunião tu vai saber que tem até um papagaio de herdeiro no testamento, Valei-me Jesus! E na reunião eu não cobrei entrada, pois era um Inventário simples. “Vai comendo, Raimundão”!

Nam, mermã, eu vou mesmo é para a área Trabalhista! Essa sim vai me dar dinheiro... Chega teu primeiro cliente, bichim, foi colocado para fora e quer as verbas trabalhistas. Beleza, “umbora” defender o bom combate. Marcada audiência de Instrução, meu Deus do Céu, o cliente na hora da oitiva fala que não foi nada disso, e que tu, Judite, Advogada dele, quem mandou falar isso. Pi pi pi (o local não deixa escrever o que deveria)

Mas meu Deus, para onde que eu corro agora? Ambiental, Tributário, Empresarial, Previdenciário? Bem, Judite, você deveria, primeiro, ter estudado melhor o mercado, saber qual área você tem mais facilidade, estudar a concorrência, desenvolver seu Nicho de mercado e escolher sua persona.

E o que diabo é isso, minha bichinha? Bem, isso são técnicas empreendedoras que te faz se destacar na área jurídica. Mas calma, Judite, infelizmente as Faculdades e as Universidades não te ensinam isso. Por isso, estas técnicas ficam para uma próxima parábola. Se preocupe não!

Para quem se interessar no meu Curso, que está recheado de técnicas empreendedoras, disponibilizo o link - https://bit.ly/327nHuW.

E você, se identificou com a Judite?

88 Comentários

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Por isso minha segunda graduação vai ser em direito, mas para prestar concurso público kkkkk
Pois, advogar hoje é uma das coisas mais difíceis de se ter sucesso, e as pessoas ainda são iludidas com o termo "Doutor!".

Ótima parábola! =) continuar lendo

É difícil sim, Adrian, mas como toda profissão se você souber inovar faz uma grande carreira. Um abraço continuar lendo

Passar em um concurso público não é mais fácil que advogar. acredite. continuar lendo

Sei disso, Patrícia. Tenho um exemplo em casa procurador! Difícil e exige também muita organização do tempo e foco em que estudar! continuar lendo

Isso tudo acontece porque de umas 2 décadas para cá resolveram atirar diplomas para cima como se jogam buquês e festa de casamento.

E o povo iludido acha que ter um diploma hoje em dia é tudo e que a vida já tá ganha mas quando acordam para a realidade começam a se a prospectar clientes de qualquer forma e vira essa bagunça que acaba levando descrédito ao cliente que acaba por não respeitar e querer tudo de graça.

A culpa é exclusiva dos próprios profissionais da área que foram mal preparados e enganados durante a formação.

Tá na hora de cair na real e mostrar a verdadeira face do cotidiano para que as pessoas entendam que o mundo evoluiu e ser chamado de doutor não garante dinheiro no bolso.

Hoje é apenas mais uma profissão como qualquer outra e quem está começando sozinho deve aceitar essa realidade dura ou tente se iludir em outra profissão achando que é maia fácil.

Sem ralação não se conquista nada a não ser o status de doutor sem doutorado. continuar lendo

O MEC libera, a OAB chancela e a gente sai da faculdade que nem robô. Tem que rever muita coisa, mesmo. continuar lendo

quem nunca? KKKKKK Parabéns pelo texto! Vale um livro, viu?! continuar lendo

Que honra, Carolina. Quem sabe não escrevo um heim? Gostei da dica, abraço continuar lendo

Não me identifiquei, mas amei o texto descontração! conheço muitas Judites e "Juditos" ha ha ha continuar lendo

Que bom que não se identificou, mas existem muitas Judites e juditos por aí, rs. Abraço continuar lendo